Incêndio destrói depósito da Educação em Várzea Grande e gera suspeitas de "queima de arquivo"
Galpão armazenava merenda escolar, livros, eletrodomésticos e cerca de 30 mil uniformes que estavam no centro de investigação da Câmara Municipal
VÁRZEA GRANDE – Um incêndio de grandes proporções destruiu, na noite desta quarta-feira (17), o Anexo I da Secretaria Municipal de Educação de Várzea Grande, localizado na Avenida Filinto Müller, no bairro Marajoara. O imóvel funcionava como almoxarifado e centro de distribuição da pasta, abrigando toneladas de alimentos da merenda escolar, eletrodomésticos, materiais pedagógicos, milhares de livros didáticos e aproximadamente 30 mil uniformes escolares que aguardavam distribuição aos alunos da rede municipal.
O fogo mobilizou uma grande operação do Corpo de Bombeiros, que empregou nove viaturas e 23 militares no combate às chamas. Apesar da intensidade do incêndio e da fumaça que se espalhou pela região, atingindo inclusive as proximidades de um posto de combustíveis, não houve registro de feridos.
Além dos prejuízos materiais, o episódio provocou forte repercussão política e abriu uma nova frente de embate entre a Prefeitura e a Câmara Municipal.
Uniformes eram alvo de investigação
Parte do material destruído no incêndio estava no centro de uma investigação conduzida por vereadores. Os cerca de 30 mil uniformes armazenados no local haviam sido alvo de fiscalização recente liderada pelo vereador Wender Madureira, que vinha cobrando explicações sobre o atraso na entrega das peças aos estudantes.
Durante as apurações da Comissão Parlamentar (CP) dos Uniformes, a secretária municipal de Educação, Maria Fernanda Figueiredo, informou que os uniformes estavam retidos para correção da logomarca impressa nas peças. Segundo ela, a substituição da identificação custaria cerca de R$ 2,30 por unidade, valor significativamente inferior à confecção de um novo lote. A previsão era de que a distribuição começasse nos próximos dias.
Com a destruição total do material, parlamentares da oposição passaram a levantar suspeitas sobre as circunstâncias do incêndio.
Vereador levanta suspeitas
Em vídeo gravado em frente ao local, o vereador Wender Madureira afirmou considerar a situação suspeita e cobrou uma investigação rigorosa.
“Muita coincidência. Dias depois da fiscalização em que encontramos uniformes e livros armazenados, o prédio pega fogo. Precisamos saber exatamente o que aconteceu e quem será responsabilizado pelo prejuízo causado à população”, declarou.
A fala repercutiu nas redes sociais e ampliou a pressão por esclarecimentos sobre a origem das chamas.
Prefeitura garante continuidade das aulas
Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Educação informou que, apesar da perda dos materiais armazenados, o funcionamento das escolas não será comprometido. Segundo a pasta, as unidades de ensino possuem estoques próprios capazes de garantir a continuidade das atividades no curto prazo.
Relatos preliminares apontam que o incêndio pode ter sido provocado por uma falha elétrica, possivelmente após a explosão de um transformador instalado nas dependências do galpão. A hipótese, entretanto, ainda não foi confirmada pelas autoridades.
Investigação
As causas do incêndio serão apuradas pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e pela Polícia Civil. Os laudos periciais deverão indicar se o fogo teve origem acidental ou criminosa.
O caso também deve chegar ao Ministério Público Estadual e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), que poderão acompanhar a apuração dos prejuízos causados ao patrimônio público e a eventual responsabilização dos envolvidos.






