Campus da UFMT em Várzea Grande terá nova licitação após mais de uma década de atrasos; recuperação custará R$ 18 milhões

Projeto idealizado para transformar o Chapéu do Sol em polo de engenharia e inovação tecnológica ficou marcado por paralisações, abandono e deterioração das estruturas. Agora, Sinfra-MT lança edital para reconstrução do campus por meio de contratação inte

 O lançamento do edital de licitação pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) representa um novo capítulo na longa história de atrasos que marcaram a implantação do Campus Universitário de Várzea Grande (CUVG) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Concebido há mais de uma década para se tornar o chamado "Câmpus das Engenharias", o empreendimento nasceu com a proposta de impulsionar a formação tecnológica no Estado, mas acabou transformando-se em um símbolo das dificuldades enfrentadas por grandes obras públicas.

A retomada do projeto ocorrerá com investimento de R$ 18 milhões em recursos federais repassados pela UFMT ao Governo de Mato Grosso, que ficará responsável pela condução da licitação e fiscalização da obra.

Um projeto estratégico para Mato Grosso

A criação do campus foi anunciada em 2013, durante a expansão da rede federal de ensino superior. O objetivo era descentralizar a formação universitária da Capital e criar, na região do Chapéu do Sol, um centro de excelência voltado aos cursos de Engenharia.

O planejamento previa a integração do novo campus com importantes instituições instaladas ou projetadas para a região, formando um complexo de ciência, tecnologia e inovação composto pela UFMT, Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat) e o futuro Parque Tecnológico do Estado.

A expectativa era consolidar um ambiente capaz de aproximar ensino, pesquisa e setor produtivo, fortalecendo a vocação industrial e tecnológica de Várzea Grande.

Paralisações transformaram obra em elefante branco

As obras começaram em 2014, porém problemas contratuais, dificuldades com empreiteiras e sucessivas restrições orçamentárias interromperam o cronograma.

Em 2018, novas ordens de serviço chegaram a ser assinadas para retomada de blocos acadêmicos, laboratórios, biblioteca e restaurante universitário, mas os trabalhos novamente perderam ritmo e acabaram sendo interrompidos.

Enquanto isso, estudantes dos cursos instalados em Várzea Grande continuaram desenvolvendo suas atividades em espaços provisórios, utilizando estruturas cedidas dentro do campus de Cuiabá.

Durante anos, o conjunto de edificações inacabadas permaneceu exposto ao tempo, sem qualquer manutenção adequada.

Estruturas deterioradas exigirão reconstrução

O abandono provocou significativa degradação das estruturas existentes.

Blocos parcialmente construídos tiveram concreto e armaduras expostos às intempéries, exigindo avaliações técnicas para verificar a segurança das edificações. Além disso, será necessário adequar todos os projetos às normas atuais de acessibilidade, prevenção contra incêndios, eficiência energética e sustentabilidade, que evoluíram desde a elaboração do projeto original.

A infraestrutura básica também precisará ser implantada praticamente do zero, incluindo redes elétrica, hidráulica, drenagem, pavimentação, urbanização e sistemas de tecnologia da informação.

Sinfra utilizará contratação integrada

Diante da complexidade da recuperação, a Sinfra publicou a Concorrência Pública nº 88/2026 utilizando o regime de Contratação Integrada.

Nesse modelo, a empresa vencedora será responsável tanto pela elaboração dos projetos básico e executivo quanto pela execução completa das obras.

A modalidade transfere maior responsabilidade à construtora, permitindo que as soluções de engenharia sejam desenvolvidas conforme as condições reais encontradas no local, reduzindo riscos decorrentes das alterações necessárias após mais de dez anos de paralisação.

Investimento representa primeira etapa

Os R$ 18 milhões previstos deverão garantir a conclusão das estruturas essenciais para colocar o campus em funcionamento.

A própria administração da UFMT, entretanto, reconhece que novos investimentos poderão ser necessários futuramente para equipar laboratórios especializados e concluir todas as instalações previstas no projeto original.

A abertura das propostas está marcada para o dia 22 de setembro de 2026. A expectativa é que a licitação marque o início da recuperação definitiva de uma obra aguardada há mais de uma década e considerada estratégica para o desenvolvimento do ensino superior, da pesquisa e da inovação tecnológica em Mato Grosso.