Justiça autoriza recuperação judicial do Grupo Echer, que acumula passivo de R$ 169 milhões
Empresa do setor da construção civil e incorporação imobiliária terá prazo para apresentar plano de recuperação e manter a continuidade das obras e das atividades em Mato Grosso
A Justiça de Mato Grosso deferiu o processamento da recuperação judicial do Grupo Echer, conglomerado com atuação nos segmentos de construção civil, incorporação imobiliária e desenvolvimento de empreendimentos habitacionais no Estado. A decisão foi proferida pela 4ª Vara Cível Especializada em Recuperação Judicial e Falência da Comarca de Rondonópolis e marca o início do processo formal de reorganização financeira da empresa.
O pedido de recuperação judicial engloba a Echer Empreendimentos, a Imobiliária Viva e produtores rurais vinculados ao grupo familiar. Juntas, as empresas informaram um passivo de aproximadamente R$ 169 milhões.
Na ação, o Grupo Echer sustenta que a crise financeira foi provocada, principalmente, pelos impactos econômicos da pandemia de Covid-19. Segundo a empresa, a expressiva alta nos custos da construção civil, aliada à escassez de materiais e ao aumento das despesas com mão de obra, comprometeu o equilíbrio financeiro de empreendimentos contratados antes da escalada dos preços, cujos contratos de financiamento não permitiam reajustes suficientes para absorver os novos custos.
Entre os fatores apontados estão os aumentos significativos nos preços de insumos como aço, cimento, alumínio, PVC, fios elétricos e madeira. Conforme os documentos apresentados à Justiça, esse cenário reduziu as margens de lucro, afetou o fluxo de caixa, pressionou os cronogramas de execução das obras e elevou a judicialização envolvendo alguns empreendimentos.
O grupo é responsável por diversos empreendimentos imobiliários em Mato Grosso, entre eles os condomínios Viva Alameda, Viva Cristo Rei e Viva Várzea Grande, em Várzea Grande; Viva Rondonópolis, em Rondonópolis; Viva Esmeralda, Viva Coxipó e Viva Parque, em Cuiabá. Também fazem parte do portfólio os loteamentos Morada do Parque, em Querência, e Morada do Valle, em Canarana.
De acordo com a empresa, parte dos empreendimentos já foi concluída, enquanto outros permanecem em execução ou deverão ser retomados após a implementação do plano de recuperação judicial. O objetivo da medida, segundo o grupo, é preservar a operação, garantir a continuidade das obras, proteger os ativos da empresa e assegurar a entrega dos imóveis aos compradores sob supervisão do Poder Judiciário.
Antes de recorrer ao processo de recuperação judicial, o Grupo Echer informou ter adotado uma série de medidas para tentar restabelecer o equilíbrio financeiro, entre elas a renegociação com fornecedores, reprogramação de cronogramas de obras, aporte de recursos pelos sócios, permuta de ativos, contratação de novos financiamentos e consultoria especializada em reestruturação empresarial. Os prazos de entrega dos empreendimentos também foram readequados e comunicados aos clientes.
Com o deferimento do pedido, a empresa passa a contar com o prazo previsto na Lei de Recuperação Judicial para apresentar um plano detalhado aos credores. O documento deverá estabelecer as condições para pagamento das dívidas, estratégias de geração de caixa, eventual alienação de ativos e as medidas necessárias para garantir a continuidade das atividades empresariais.
### Trajetória
Fundado em 2010, em Rondonópolis, o Grupo Echer iniciou suas atividades como uma empresa familiar voltada à construção de moradias. Em 2013, após obter aprovação no processo GERIC da Caixa Econômica Federal, ampliou sua atuação no segmento habitacional e passou a desenvolver empreendimentos em diferentes municípios de Mato Grosso.
Ao longo de sua trajetória, a empresa expandiu operações para cidades como Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Querência, Canarana, Água Boa e Nova Brasilândia. Segundo informações apresentadas no processo, o grupo já participou da construção e viabilização de mais de 3 mil unidades habitacionais, contribuindo para a expansão urbana e a formação de novos bairros no Estado.






