De 2019 a 2022: o coach dos bilhões? Filho de Mauro Mendes chega a 36 empresas em pouco mais de três anos
Levantamento publicado em 2022 apontou Luis Antônio Taveira Mendes, então com 24 anos, como sócio de 36 empresas que somavam R$ 2,7 bilhões em capital social
Se existisse um “manual do empreendedorismo acelerado”, a trajetória empresarial de Luis Antônio Taveira Mendes certamente seria um capítulo que chamaria atenção.
Filho do governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, Luis Antônio apareceu, aos 24 anos, relacionado a 36 empresas cujo capital social somado chegava a R$ 2,738 bilhões, segundo levantamento publicado pelo site Minuto MT em junho de 2022.
E o detalhe que mais chama atenção está no intervalo de tempo.
A empresa mais antiga considerada no levantamento havia sido constituída em fevereiro de 2019, apenas dois meses depois de Mauro Mendes assumir o Governo de Mato Grosso. O levantamento chegou aos R$ 2,7 bilhões em junho de 2022.
Ou seja: aproximadamente três anos e quatro meses.
Não foram oito anos.
O relógio começou em fevereiro de 2019
Mauro Mendes tomou posse como governador em 1º de janeiro de 2019.
Pouco mais de um mês depois, em fevereiro, aparece o primeiro registro empresarial considerado na apuração. A partir daí, segundo os registros consultados pelo Minuto MT, a participação de Luis Antônio se espalhou por empresas de diferentes setores.
Entre as áreas envolvidas estavam energia, mineração e construção civil, segmentos que movimentam grandes volumes de recursos e possuem forte relação com questões regulatórias.
O resultado do levantamento publicado em 2022 impressionava: aos 24 anos, Luis Antônio já aparecia como sócio de 36 empresas, com capital social conjunto de R$ 2,738 bilhões.
De “zero” a R$ 2,7 bilhões?
É aqui que entra a provocação.
“De zero a R$ 2,7 bilhões em pouco mais de três anos.”
A frase é forte e resume a velocidade da expansão empresarial apontada pelos registros.
Mas existe uma ressalva fundamental: R$ 2,7 bilhões não significavam patrimônio pessoal de Luis Antônio.
O valor corresponde ao capital social somado das 36 empresas, que tinham outros sócios e diferentes estruturas societárias. Portanto, não é correto afirmar que o filho do governador “ficou bilionário” ou que possuía R$ 2,7 bilhões individualmente.
O que os registros demonstravam era outra coisa — igualmente relevante: sua presença societária em dezenas de empresas cujo capital declarado, somado, alcançava a casa dos bilhões.
O “coach” do crescimento empresarial
É justamente aí que nasce a comparação que ganhou força no debate político:
Como construir uma estrutura empresarial dessa dimensão em aproximadamente três anos?
Se fosse uma palestra motivacional, o título poderia ser:
“Do zero aos R$ 2,7 bilhões: como construir um império empresarial em três anos e quatro meses.”
Mas, fora do marketing, a pergunta precisa ser mais objetiva.
Quem eram os demais sócios?
Qual era a participação efetiva de Luis Antônio em cada empresa?
Quanto foi efetivamente investido?
Qual era o patrimônio líquido dos negócios?
Quanto desse capital social estava efetivamente integralizado?
E, principalmente, como evoluíram essas empresas depois do levantamento de 2022?
Essas são perguntas diferentes de simplesmente somar capitais sociais — e são justamente elas que permitem medir o tamanho real do patrimônio e dos negócios.
Uma coincidência cronológica que chama atenção
O aspecto temporal também é impossível de ignorar.
O levantamento mostra que a expansão empresarial começa em fevereiro de 2019, no início do primeiro mandato de Mauro Mendes, e chega a 36 empresas e R$ 2,7 bilhões em capital social pouco mais de três anos depois.
Uma publicação posterior do Novidades MT também retomou os dados e descreveu a trajetória como uma expansão ocorrida entre fevereiro de 2019 e 2022.
A coincidência temporal, por si só, não prova qualquer irregularidade.
Ser filho de governador também não impede alguém de empreender, investir ou participar de empresas.
Mas quando a expansão envolve dezenas de empresas, setores estratégicos e valores bilionários, especialmente quando o empresário é filho de uma autoridade que ocupa o comando do Estado, é natural que surjam questionamentos públicos sobre transparência, relações empresariais e eventual existência de conflitos de interesse.
O número que realmente impressiona
Mais do que dizer que alguém “chegou a R$ 2,7 bilhões”, a informação mais precisa é esta:
Em cerca de três anos e quatro meses, entre fevereiro de 2019 e junho de 2022, Luis Antônio Taveira Mendes passou a figurar, segundo levantamento publicado pelo Minuto MT, no quadro societário de 36 empresas que, juntas, tinham R$ 2,738 bilhões em capital social.
É uma trajetória empresarial que chama atenção pela idade, velocidade e dimensão dos negócios envolvidos.
E talvez a melhor pergunta para qualquer “coach” seja justamente a mais simples:
qual é a fórmula?






