Focus mantém inflação e juros estáveis, mas mercado reduz projeção de crescimento do Brasil

Mercado mantém IPCA em 5,02% e Selic em 13,75% no fim de 2026, enquanto previsão para o PIB recua para 1,95%

 O mercado financeiro manteve praticamente estáveis as principais projeções para a economia brasileira, mas voltou a reduzir a expectativa de crescimento do país. É o que mostra o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (24), com dados coletados até 21 de agosto.

A mediana das expectativas para o IPCA de 2026 permaneceu em 5,02%, pela segunda semana consecutiva. Apesar da estabilidade, a projeção continua acima do teto da meta de inflação, estabelecida em 4,5%. Para 2027, a expectativa para o IPCA subiu levemente, de 4,24% para 4,25%.

Na atividade econômica, porém, houve nova deterioração. A projeção para o PIB brasileiro em 2026 caiu de 1,98% para 1,95%. Para 2027, o mercado manteve a estimativa de crescimento em 1,50%. Já para 2028, a previsão subiu de 1,89% para 1,98%.

Juros continuam elevados

A expectativa para a taxa básica de juros também permaneceu inalterada. O mercado projeta a Selic em 13,75% ao ano no encerramento de 2026, mesma previsão da semana anterior e pela terceira semana consecutiva.

Atualmente, a Selic está em 14% ao ano, após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) no início de agosto.

Segundo análise da XP, os economistas consultados pelo Focus continuam esperando um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de setembro, seguido inicialmente por uma pausa nas reuniões seguintes. A instituição ressalta, porém, que novas reduções dependerão principalmente do comportamento da inflação e da atividade econômica.

O cenário reforça a perspectiva de que o dinheiro continuará caro no Brasil durante boa parte de 2026. Juros elevados afetam diretamente empréstimos, financiamentos, investimentos e decisões de consumo das famílias e empresas.

Dólar permanece em R$ 5,20

No câmbio, o mercado manteve em R$ 5,20 a projeção para o dólar no final de 2026, repetindo a estimativa pela décima semana consecutiva.

Para 2027, entretanto, houve uma pequena revisão: a projeção passou de R$ 5,29 para R$ 5,30. Para 2028, a expectativa continua em R$ 5,30.

O que os números dizem sobre a economia

O conjunto das projeções mostra um cenário de crescimento moderado, inflação ainda pressionada e juros elevados.

A combinação é especialmente relevante porque a manutenção da Selic em patamar alto tende a encarecer o crédito e reduzir o ritmo de investimentos e consumo. A revisão do PIB para 1,95% ocorre em um momento em que os indicadores de atividade vêm mostrando sinais de perda de força.

A XP avalia que os juros restritivos e os impulsos fiscais e parafiscais contracionistas devem continuar pesando sobre o crescimento econômico no horizonte mais longo.

Impacto para quem pretende financiar

Para o consumidor que pretende contratar um financiamento, o cenário exige atenção. A diferença entre a Selic atual, de 14%, e a projeção de 13,75% para dezembro é pequena, indicando que o mercado não trabalha, neste momento, com uma queda acelerada dos juros.

Isso não significa, porém, que todos os financiamentos ficarão automaticamente mais baratos caso o Copom faça novos cortes. As taxas cobradas pelos bancos dependem também de risco de crédito, prazo, funding, relacionamento com a instituição e condições específicas de cada operação.

Por isso, para quem já encontrou uma oportunidade de compra, a recomendação é comparar o Custo Efetivo Total (CET), o valor da entrada, o prazo e as condições oferecidas antes de decidir esperar por uma eventual redução da Selic.



Em síntese, o Focus desta semana traz uma mensagem clara: o mercado não vê uma piora relevante nas expectativas de inflação e juros no curto prazo, mas está menos otimista com o crescimento da economia brasileira. Para consumidores e empresas, especialmente os que dependem de crédito, o cenário recomenda planejamento e atenção às condições financeiras disponíveis.