Tarifa dos EUA ameaça agronegócio e coloca Mato Grosso no centro dos impactos econômicos

Maior produtor de grãos e líder nas exportações do país, Mato Grosso pode sentir reflexos da sobretaxa americana em cadeias como madeira, etanol, máquinas agrícolas e indústria de transformação.

A entrada em vigor da tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre uma ampla lista de produtos brasileiros acendeu um alerta no setor produtivo nacional. Embora alguns itens estratégicos, como carne bovina, café e aeronaves, tenham sido poupados da medida, economistas avaliam que Mato Grosso está entre os estados mais vulneráveis aos efeitos indiretos da decisão, devido à forte dependência das exportações e ao peso do agronegócio em sua economia.

O estado responde pela maior produção agrícola do Brasil e lidera a produção nacional de soja, milho e algodão, além de ocupar posição de destaque nas exportações de carne bovina, madeira e produtos florestais. A agropecuária representa um dos pilares da economia mato-grossense e movimenta toda a cadeia logística, industrial e de serviços.

Segundo a Reuters, a nova tarifa americana atinge produtos como máquinas agrícolas, produtos de madeira, etanol e artigos industriais, colocando em risco entre US$ 7 bilhões e US$ 11 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos, o equivalente a cerca de 18% a 26% das vendas do Brasil ao mercado americano.

Mato Grosso pode sofrer efeito em cascata

Mesmo que boa parte da soja e do milho produzidos em Mato Grosso tenha como destino principal a China e outros mercados asiáticos, especialistas alertam que o estado pode sofrer impactos indiretos.

Entre os efeitos esperados estão:

redução da demanda por produtos industrializados ligados ao agro;
pressão sobre os preços das commodities;
aumento da concorrência em mercados internacionais;
diminuição da rentabilidade das empresas exportadoras;
reflexos na geração de empregos em setores ligados à cadeia exportadora.

Além disso, empresas que fornecem madeira, etanol, equipamentos e insumos para o mercado norte-americano podem enfrentar perda de competitividade diante do aumento dos custos de importação nos Estados Unidos.

Maior potência agrícola do país

Os números ajudam a explicar por que Mato Grosso está no radar quando o assunto é comércio internacional.

O estado:

é o maior produtor brasileiro de soja;
lidera a produção nacional de milho;
é o maior produtor de algodão do país;
figura entre os maiores exportadores de carne bovina;
responde por parcela significativa das exportações brasileiras do agronegócio.
Incerteza aumenta preocupação

Além da tarifa de 25%, o governo americano anunciou uma investigação relacionada à suposta utilização de trabalho forçado em cadeias produtivas brasileiras, que poderá resultar em uma sobretaxa adicional de 12,5% para determinados produtos. Caso isso ocorra de forma cumulativa, alguns itens brasileiros poderão enfrentar tributação total de 37,5%, ampliando ainda mais a insegurança para exportadores.

Para entidades do setor produtivo, o momento exige diversificação de mercados e fortalecimento das relações comerciais com Ásia, Oriente Médio e Europa, reduzindo a dependência do mercado norte-americano.

Embora os efeitos completos ainda dependam da lista definitiva de produtos atingidos e de eventuais negociações diplomáticas, há consenso de que Mato Grosso, por ser a locomotiva do agronegócio brasileiro, estará entre os estados que mais sentirão qualquer turbulência no comércio exterior.