Derrota de Abilio no TJMT dificulta reeleição de Paula Calil e fortalece Dilemário e Ilde Taques

Tribunal manteve exigência de 18 votos para mudanças no Regimento Interno da Câmara; decisão não encerra tentativa de Paula, mas torna candidaturas alternativas mais prováveis

A decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) que manteve a exigência de dois terços dos votos para alterações no Regimento Interno da Câmara de Cuiabá mudou novamente o cenário da disputa pela presidência do Legislativo municipal.

O revés atinge diretamente a articulação liderada pelo prefeito Abilio Brunini (PL) para viabilizar uma eventual reeleição da atual presidente da Casa, Paula Calil (PL), no biênio 2027–2028.

O Órgão Especial do TJMT manteve o entendimento da relatora da Ação Direta de Inconstitucionalidade, desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, e negou o pedido para suspender imediatamente os dispositivos que exigem o apoio de dois terços dos 27 vereadores. Com isso, continuam sendo necessários pelo menos 18 votos para modificar o Regimento Interno.

A regra representa o principal obstáculo para Paula porque o atual Regimento impede a recondução consecutiva para o mesmo cargo dentro da legislatura. Para disputar novamente a presidência, ela precisa primeiro viabilizar uma mudança nessa norma.

Paula continua no jogo, mas enfrenta cenário mais difícil

A decisão não impede definitivamente a candidatura de Paula Calil. A ação ainda terá seu mérito julgado e o grupo da presidente pode continuar tentando alcançar os 18 votos necessários dentro da própria Câmara.

Após a negativa judicial, Paula afirmou que recebeu a decisão com tranquilidade e que seu grupo analisará uma nova estratégia. A parlamentar também declarou que permanece como nome de consenso entre os aliados.

Na prática, entretanto, a manutenção da regra reduz as possibilidades de uma solução rápida pela via judicial e aumenta a pressão sobre o grupo governista, especialmente diante da proximidade da eleição da Mesa Diretora, prevista para 6 de outubro.

Dilemário volta a ganhar força como alternativa

Caso Paula não consiga tornar juridicamente possível sua candidatura, o vereador Dilemário Alencar (União Brasil) aparece como um dos nomes mais prováveis para representar o grupo atualmente ligado à presidente e ao prefeito Abilio.

Paula e Dilemário já haviam construído um entendimento político segundo o qual, se a mudança no Regimento não avançasse, o vereador poderia assumir a condição de candidato do bloco. A aliança chegou a reunir um grupo de 14 parlamentares, número suficiente para vencer uma eleição por maioria, mas insuficiente para mudar a regra interna que exige 18 votos.

O desafio será saber se os apoios reunidos em torno da permanência de Paula serão automaticamente transferidos para Dilemário. A adesão não é considerada garantida, porque parte dos vereadores pode rever sua posição diante da provável ausência da atual presidente na disputa.

Ilde Taques mantém candidatura própria

Do outro lado está Ilde Taques (Podemos), que mantém candidatura independente e já afirmou possuir compromissos de apoio dentro da Câmara.

Ilde chegou a declarar que contava com 13 vereadores e que nem todos os integrantes do grupo de Paula aceitariam apoiar Dilemário em uma eventual substituição.

Com a dificuldade jurídica enfrentada pela atual presidente, Ilde passa a ocupar uma posição ainda mais relevante. Ele pode tentar atrair parlamentares que apoiavam Paula, mas que resistem ao nome de Dilemário, transformando a disputa em uma negociação voto a voto.

Outros nomes podem reaparecer

Além de Dilemário e Ilde, outros vereadores já foram mencionados nos bastidores como possíveis alternativas, entre eles Cezinha Nascimento (União Brasil) e Daniel Monteiro (Republicanos). Os dois chegaram a manifestar interesse na presidência durante as primeiras movimentações do processo sucessório.

Até o momento, porém, nenhum desses nomes apresentou uma articulação tão consolidada quanto os grupos liderados por Dilemário e Ilde. Eles podem ganhar espaço como opções de consenso caso a Câmara permaneça dividida e nenhum dos principais candidatos consiga formar maioria.

O cenário mais provável, neste momento, é de uma disputa concentrada entre Dilemário Alencar e Ilde Taques caso Paula Calil não consiga superar a barreira regimental. Ainda assim, a movimentação permanece aberta, e novas alianças poderão surgir até a eleição.

A decisão do TJMT, portanto, não encerra o projeto de reeleição de Paula, mas reduz significativamente seu espaço de manobra e deixa a sucessão da Câmara de Cuiabá mais imprevisível.