Possível derrota de Lula anima investidores; Bolsa dispara e dólar cai a R$ 5

Vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno fortalece apostas em mudança na política econômica; disputa presidencial permanece aberta.


O mercado financeiro brasileiro reagiu nesta segunda-feira (5) à perspectiva de uma possível derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Após Flávio Bolsonaro (PL) terminar a primeira etapa da eleição na liderança, o Ibovespa avançou 7,7%, para 206,9 mil pontos, renovando seu recorde histórico. O dólar comercial encerrou a sessão a R$ 5,001, com queda de 4,13%, segundo o UOL.

A reação reflete a expectativa de parte dos investidores de que uma eventual troca de governo resulte em maior controle das despesas públicas. O avanço conservador no Congresso também alimentou apostas em condições políticas mais favoráveis à aprovação de medidas fiscais. Entretanto, conforme a reportagem do UOL, Flávio ainda não havia detalhado como executaria o ajuste esperado pelo mercado.

A valorização alcançou bancos, varejistas e ações da Petrobras. Analistas ouvidos pela Folha de S.Paulo relacionaram o movimento à queda dos juros futuros e à expectativa de uma trajetória mais controlada para a dívida pública — fatores que podem favorecer o valor das empresas na Bolsa.

O efeito, porém, não foi uniforme. Exportadoras, como a Vale, sofreram pressão durante o pregão. O fortalecimento do real pode reduzir o valor, em moeda brasileira, das receitas obtidas em dólares, explicando por que algumas companhias caminharam na direção contrária à alta generalizada.

Aposta financeira não define resultado eleitoral

A leitura dos investidores ainda depende da evolução da campanha. Rafael Passos, sócio da Ajax Asset, afirmou ao Jornal do Comércio que a continuidade do movimento estará ligada às próximas pesquisas e às propostas econômicas apresentadas no segundo turno.

Portanto, a euforia expressa uma expectativa de alternância de poder, sem assegurar a derrota de Lula. Até a votação de 25 de outubro, alianças, propostas fiscais e sinais sobre as futuras equipes econômicas devem permanecer no radar do mercado.