Dino, Zanin e Moraes articulam reação à ofensiva de Mendonça no STF
Ministros questionam a forma como foi conduzida a apuração envolvendo Alexandre de Moraes e o Banco Master; disputa expõe divisão interna na Corte
A crise instalada no Supremo Tribunal Federal ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (15), com a consolidação de uma reação à atuação do ministro André Mendonça no caso que envolve Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Flávio Dino e Cristiano Zanin estão entre os ministros que demonstram resistência à abertura de uma investigação contra Moraes nos moldes propostos por Mendonça. O questionamento central não afasta necessariamente a possibilidade de apuração, mas contesta a forma como as diligências foram conduzidas e a competência para autorizar medidas envolvendo um integrante do próprio Supremo.
Moraes classificou o relatório apresentado por Mendonça como uma “farsa” e uma tentativa de “vingança político-eleitoral”. Em manifestação encaminhada ao presidente do STF, Edson Fachin, o ministro sustentou que as medidas foram tomadas sem a necessária autorização do plenário e negou ter praticado qualquer irregularidade relacionada ao Banco Master. Folha de S.Paulo
Cristiano Zanin também cobrou acesso integral ao material apreendido no celular de Vorcaro. A justificativa é que os ministros precisam conhecer o conjunto completo das informações antes de decidir se existem elementos suficientes para autorizar uma investigação formal contra Moraes. Folha de S.Paulo
Dino amplia pressão sobre Mendonça
Paralelamente, Flávio Dino determinou o envio para apuração de informações relacionadas a um encontro entre André Mendonça e Daniel Vorcaro, realizado em março de 2025. Segundo as informações apresentadas, a reunião ocorreu um dia antes de Mendonça pedir vista em uma ação envolvendo o setor funerário de São Paulo, área na qual fundos relacionados ao Banco Master teriam interesses econômicos.
Mendonça confirmou o encontro, mas afirmou que recebeu Vorcaro atendendo a um pedido de integrantes da Igreja Batista da Lagoinha. Dino defendeu que os fatos sejam esclarecidos com respeito ao contraditório e à ampla defesa. Folha de S.Paulo
Supremo dividido
Antes da sessão, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes eram apontados como contrários à investigação no formato apresentado por Mendonça. Do outro lado, André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques apareciam entre os favoráveis à abertura da apuração.
Alexandre de Moraes não deve participar da votação que trata diretamente de sua própria conduta. A sessão também não representa julgamento de culpa: o plenário decidirá se existem condições jurídicas para aprofundar as investigações e se as medidas adotadas anteriormente são válidas. UOL
O confronto evidencia uma das maiores divisões internas recentes do Supremo. De um lado, ministros defendem o esclarecimento das suspeitas; de outro, integrantes da Corte alertam que uma investigação contra magistrados precisa seguir rigorosamente as regras de competência e autorização colegiada.






