Investigação apura se disputa na Câmara de VG envolvia controle do DAE e pressão sobre a Prefeitura
Documentos apontam suspeita de articulação para manter comando do Legislativo e ampliar influência sobre a autarquia e concessões municipais.
A investigação sobre suspeitas de corrupção na Câmara de Várzea Grande vai além da eleição de sua Mesa Diretora. Documentos apresentados pelo Gaeco apontam a hipótese de que o grupo investigado pretendia ampliar sua influência sobre o Departamento de Água e Esgoto (DAE) e exercer pressão política sobre a Prefeitura.
Conforme a decisão judicial que resume a representação do Ministério Público, a apuração começou a partir de uma denúncia anônima. O relato inicial mencionava uma articulação para manter Wanderley Cerqueira na presidência da Câmara no biênio 2027–2028 e formar uma maioria parlamentar capaz de pressionar a chefe do Executivo municipal.
Entre os objetivos atribuídos ao grupo estava a eventual abertura de um procedimento de cassação da prefeita Flávia Moretti. Essa possibilidade aparece como parte da narrativa investigada, e não como comprovação de um plano executado.
O DAE surge nos documentos em razão de uma possível concessão ou privatização dos serviços. Segundo a hipótese apresentada pelos investigadores, o interesse sobre a autarquia poderia estar associado ao direcionamento de decisões administrativas, à distribuição de cargos e à obtenção de vantagens indevidas.
O processo não permite concluir que toda discussão sobre concessão do saneamento estivesse ligada a irregularidades. A suspeita específica é de utilização da influência política para atender interesses particulares, o que depende de comprovação.
A investigação também menciona uma reunião de vereadores em uma chácara no Distrito da Guia, às vésperas da eleição da Mesa Diretora, marcada para 14 de maio de 2026. A denúncia inicial associava o encontro a possíveis negociações de votos.
Essas informações motivaram diligências e passaram a ser examinadas em conjunto com depoimentos, registros financeiros e outros elementos reunidos pelo Gaeco.
O interesse público da apuração está em esclarecer se decisões sobre serviços essenciais e cargos municipais foram utilizadas como instrumentos de negociação política indevida. As responsabilidades dependem da confirmação dos fatos e da análise das manifestações das defesas.








